
Com este título, o sociólogo e jornalista, Laurindo Leal Filho, inicia um importante discurso sobre a TV digital no Brasil. A revista Cult, nº 115, elaborou um dossié sobre a televisão brasileira, abrindo um espaço para o diálogo sobre a questão.
Ao ler e analisar os diversos artigos, chega-se rapidamente a uma conclusão, como afirma Laurindo Leal, na abertura de sua matéria: "O público será o último a saber (se a TV digital pode nos libertar do apartheid). Quem decidirá a respeito de mais programas e interatividade serão as emissoras". E esstas continuam nas mãos de grandes empresarios.
Ao falar da televisão por assinatura, que supostamente dava ao telespectador ampla possibilidade de escolha, o socióloogo é enfático ao dizer que foi uma "doce ilusão. Combinando o abismo na distribuição de renda com a promíscua relação existente entre concessionários de canais de TV e os poderes públicos, a nova tecnologia serviu para tornar ainda mais perverso o papel da televisão no Brasil. Com a TV por assinatura, inaugurou-se o apartheid televisivo". O custo da assinatura é caro para grande parte da população; e mesmo a minoria que pode dispor dela, não se viu beneficiada pela programação cultural ou informativa. "Isso porque a nova tecnologia ficou nas mãos dos mesmos empresários que históricamente controlam a radiodifusão no país" - afirma o sociólogo. "E nada indica que não venha ocorrer o mesmo com a TV digital, anunciada para entrar no ar em São Paulo, no dia 2 de dezembro ´próximo."
Fica aberta a discussão e a pergunta: "As empresas operadoras de um serviço público, estarão atuando estritamente nos limites da lógica comercial?"
Tema da revista Cult, Nº 115. Reflexão e transcrição de Iris L. Pontin em 27.07.2007
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