sexta-feira, 13 de abril de 2007

Herdeiros de Alexandre

"Se nos colocamos na esfera da linguagem,é possível constatar que existe em nossas experiencias cotidianas, uma ideologia guerreira que, articulada com apreciados valores da cultura ocidental, se opõem com persistência à enunciação de um discurso sobre a ternura."


Com estas palavras, Restrepo inicia o pequeno capítulo "Herdeiros de Alexandre", em seu livro Direito à Ternura, no qual ele analisa e faz o leitor tomar consciencia dessa realidade tão intrínseca ao ser humano.

A exemplo de Alexandre, que foi treinado à disciplina com o forte e único objetivo de vencer o inimigo e conquistar o mundo, o autor nos faz ver que na atualidade também existe um discurso semelhante ao do Alexandre. E não somente no campo das armas, mas também no campo do espírito, como no caso de Abraão.

Três mil anos depois, constatamos que a ação da maioria dos empresários, políticos e cientístas continua pautado por este mesmo espírito guerreiro. "A sensibilidade foi desterrada das rotinas produtivas e do campo do saber. Ainda hoje o amor e o êxito econômico e social parecem andar na contramão."

Muitos de nós, sem dúvida, vivemos esta mesma rotina, sem dar-nos conta. O medo, segundo o autor, é que "a afetividade e a ternura podem quebrar a disposição do combatente".

"Importante deixar-se assaltar pelas imensidades ambientais que chegam ao nosso corpo. A ternura só pode enincuar-se a partir da fratura, vivenciada a partir de um ser atravessado pelo mundo e não a partir daquele que se fecha sobre a experiência impondo a qualquer preço suas intenções e projetos".
Do livro: RESTREPO, Luis Carlos, Direito à Ternura


Um comentário:

Nossas Igrejas disse...

Olá Iris, tô gostando de ver e aproveitei para exercitar o espanhol viu!
É isso aí, somos todos herdeiros de Alexandre... vivemos em uma sociedade carente porque decidiu trocar os sentimentos pelo poder e paradoxalmente essa mesma sociedade sente a cada dia a dor de ter "perdido" a sensibilidade. Onde há ternura não há guerra!