"Se nos colocamos na esfera da linguagem,é possível constatar que existe em nossas experiencias cotidianas, uma ideologia guerreira que, articulada com apreciados valores da cultura ocidental, se opõem com persistência à enunciação de um discurso sobre a ternura."
Com estas palavras, Restrepo inicia o pequeno capítulo "Herdeiros de Alexandre", em seu livro Direito à Ternura, no qual ele analisa e faz o leitor tomar consciencia dessa realidade tão intrínseca ao ser humano.
A exemplo de Alexandre, que foi treinado à disciplina com o forte e único objetivo de vencer o inimigo e conquistar o mundo, o autor nos faz ver que na atualidade também existe um discurso semelhante ao do Alexandre. E não somente no campo das armas, mas também no campo do espírito, como no caso de Abraão.
Três mil anos depois, constatamos que a ação da maioria dos empresários, políticos e cientístas continua pautado por este mesmo espírito guerreiro. "A sensibilidade foi desterrada das rotinas produtivas e do campo do saber. Ainda hoje o amor e o êxito econômico e social parecem andar na contramão."
Muitos de nós, sem dúvida, vivemos esta mesma rotina, sem dar-nos conta. O medo, segundo o autor, é que "a afetividade e a ternura podem quebrar a disposição do combatente".
"Importante deixar-se assaltar pelas imensidades ambientais que chegam ao nosso corpo. A ternura só pode enincuar-se a partir da fratura, vivenciada a partir de um ser atravessado pelo mundo e não a partir daquele que se fecha sobre a experiência impondo a qualquer preço suas intenções e projetos".
Do livro: RESTREPO, Luis Carlos, Direito à Ternura
Um comentário:
Olá Iris, tô gostando de ver e aproveitei para exercitar o espanhol viu!
É isso aí, somos todos herdeiros de Alexandre... vivemos em uma sociedade carente porque decidiu trocar os sentimentos pelo poder e paradoxalmente essa mesma sociedade sente a cada dia a dor de ter "perdido" a sensibilidade. Onde há ternura não há guerra!
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